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    o mentiroso
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o mentiroso

Capa de O Mentiroso

O Mentiroso ganhou o Prêmio Nascente (2002), promovido pela USP e pela Editora Abril. Foi publicado em 2003 pela editora 7Letras.

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Marcelino Freire, no seu blog eraOdito, em 04/09/2003

Faz uns meses a 7Letras, do Rio, lançou a Coleção Rocinante. A fim de publicar prosa da boa. Recebi os primeiros livros em casa. E agradeci. Parágrafos bem legais, enfim. Li os livros e vou começar falando de um, bem rápido. Que o tempo tem pernas curtas. Trata-se de O Mentiroso, a estréia do paulista Tony Monti na ficção. E uma ficção labiríntica. Enganosa. Explico: o cara cambalhota o tempo todo. Logo na entrada do livro, revela: “O mentiroso sou eu”. Ou: “A mentira está na base dos textos que se seguem”. Isso me fez lembrar Manoel de Barros, quando alguém quis averiguar até que ponto a poesia do poeta mato-grossense era verídica à vida do poeta mato-grossense, essas coisas. Ao que ele respondeu: “90% do que escrevo é mentira. O resto eu invento”. É bem assim. Vivo sempre dizendo: escritor que não mente não merece o meu respeito. A verdade que fique para quem precisa dela. Verdade não tem cor. A mentira amarela. Vamos deixar de poesia, pô. Você leu mesmo o livro do Monti ou está mentindo? Claro que li. Li curtinho, de um fôlego só. O cara tem imaginação de Monti. Eu é que vivo fazendo trocadilho infame. Tudo bem. Quero dizer que fiquei empolgado com a prosa do Tony. Essa coisa meio melancólica sem ser melancólica. Alegre sem ser alegre. Coisa disfarçada, entende? Como se o autor não soubesse, nem quisesse saber, o tamanho da prosa inventiva que tem. Simulacro de prosa. Algo perto do que o Nelson de Oliveira faz no Naquela Época Tínhamos um Gato, creio. Algo perto das invenções do Borges, sei lá.

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 Mentiras e verdades da colméia humana

MANUEL DA COSTA PINTO

COLUNISTA DA FOLHA (28/06/2003)

O prêmio Nascente (promovido pela USP) tem revelado nomes que estão fazendo história na literatura brasileira, como Fernando Bonassi e Juliano Garcia Pessanha. Por isso, sempre vale a pena examinar uma obra que recebeu sua chancela, como é o caso do recém-lançado “O Mentiroso”, de Tony Monti, vencedor do Nascente no ano passado.
O livro é composto por nove contos. Aparentemente, não há unidade entre eles, o que é normal (ou deveríamos dizer: estrutural) em um gênero que prima pela apreensão da descontinuidade da experiência. Desde o início, porém, Monti procura nos convencer de que haveria algum fundo comum nessas narrativas.
O título do livro, por exemplo, não corresponde a nenhum conto em particular, o que nos leva a imaginar que há algo de “mentiroso” em cada um deles. Além disso, os textos são precedidos de uma “pequena explicação” em que o autor faz sua profissão de fé: “A mentira é o que está na base dos textos que se seguem. (…) Nos textos, mentem personagens, narradores, autor (por fingir acreditar estar dizendo algo significativo) e leitor (não se exclua). Minto também agora quando pareço consciente dos momentos em que menti”.
Mentira e fingimento são temas recorrentes na literatura e podem significar ora um elogio do artifício (como no Oscar Wilde de “A Decadência da Mentira”), ora um retorno à autenticidade incubada na ficção (como no poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa), ora uma crítica ao idealismo (a definição de Adorno para a arte como “magia livre da mentira de ser verdade”).
No entanto, dificilmente reconhecemos essas acepções nos contos de Tony Monti. Não há ambição programática no conjunto de “O Mentiroso”, pois tampouco há mentiras em todos os contos que o integram. O que há, sim, são deslocamentos de identidade (que não se confundem com fraudes) e ambiguidades narrativas (que são diferentes de farsas).
Dois exemplos. No conto “Jogo Amistoso”, uma garota de programa e o freguês de uma casa noturna se cortejam mutuamente. Cada parágrafo (e às vezes cada frase de um mesmo parágrafo) é escrito em um foco narrativo, reproduzindo sucessivamente o ponto de vista de um e de outro. E tal variação de identidade reforça, por sua vez, a ambivalência da aproximação que envolve simultaneamente desejo e barganha.
Já em “Sob o Sol”, o narrador descreve seu preguiçoso preparativo para uma caminhada. Ao final, percebemos que ele foi semeando aqui e ali frases sobre sua ex-namorada (“deixei-a apesar de gostar dela, deixei porque ela não compreendia que o mundo era um pouco pior”; “seria possível que ela ignorasse a morte?”) que preparavam o desfecho homicida de suas vagas inquietações metafísicas.
A esses exercícios de estilo poderíamos acrescentar “O Outro” e “Ao Museu do Prado”, em que o tema do duplo, da duplicação da personalidade, resvala no realismo fantástico, com lugares públicos como a praça, o metrô e o museu constituindo o espaço ideal para identidades à deriva.
Como todo exercício, todavia, os contos citados estão longe da grande mentira que suspende nossas superstições empiristas e que é a verdade suprema da literatura. No caso de Monti, a mentira só é realmente inquietante em dois textos do livro. Em “Mundo Animal”, o narrador descreve com voz fria e sem sobressaltos um documentário de TV sobre lagartos da Malásia cujos hábitos sexuais vão tomando uma dimensão simbólica assustadora. Em nenhum momento o evidente paralelismo com as perversões humanas é enunciado -mas, por isso mesmo, ele é muito mais verdadeiro do que a banalidade factual do documentário.
E esse mesmo tipo de refração entre simbólico e literal ocorre em “A Colméia”, uma espécie de ficção científica em que uma cidade de produtores de mel é submetida a um regime político de exceção que arregimenta homens, mulheres e crianças segundo a organização fantasmagórica de um exército de abelhas. Aqui, o inverossímil se faz natural na voz de um narrador que, como nós, sobrevive à claustrofobia da colméia humana entre leituras e devaneios.

3 Respostas to “o mentiroso”

  1. Cineasta 81 said

    Vim visita-lo. Estou conhecendo algumas coisas para esxcrever sobre Exato acidente, para o correio braziliense.

  2. […] o mentiroso […]

  3. […] o mentiroso […]

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