tony monti eXato acidente

leio, escrevo e apago




  • três coisas que eu
    gosto - infantil -
    (2013)


    Capa de eXato acidente
    eXato acidente
    (2008)



    Capa de o menino da rosa
    o menino da rosa
    (2007)




    Capa de O Mentiroso
    o mentiroso
    (2003)





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eXato acidente

capa de eXato acidente
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Folha de São Paulo, 27/12/2008
e Zero Hora (RS), 31/12/2008

SOBRE O AUTOR: Doutourando em literatura pela Universidade de São Paulo, Monti lança agora o seu terceiro livro de contos. O primeiro, “O Mentiroso” (2003), recebeu o Prêmio Nascente, promovido pela USP.
TEMA: As historietas tratam do cotidiano, mas de um cotidiano sem encaixes lógicos, em que girafas passeiam pela cidade e tigres moram em apartamentos.
POR QUE LER: Monti recebeu uma bolsa do PAC pelo projeto deste volume. Sua prosa é seca e direta, e as surpresas ficam para os elementos quase oníricos que, não raro, saltam aos olhos do leitor logo nos primeiros parágrafos.

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José Geraldo Couto, na revista Carta Capital, em 30/11/2008

 eXato acidente, com essa grafia peculiar, é um título perfeito para o recém-lançado terceiro livro de Tony Monti, autor de 29 anos nascido em Osasco, na Grande São Paulo.

Os dezesseis contos curtos reunidos no volume (Hedra, 96 págs., R$ 20) extraem sua força da tensão entre uma escrita rigorosa, precisa, e os insólitos ambientes e situações que ela põe em cena. “Descrever com exatidão algum absurdo”: assim o próprio autor resume a proposta de cada um dos textos.

Num deles, girafas passeiam por uma cidade altamente regulada, que sofre de quando em quando a invasão de indivíduos de fora de suas fronteiras, em eventos batizados de “atentados alfa”. Os invasores podem ou não ser assimilados pela cidade. Depende de suas habilidades específicas e de sua capacidade de adaptação.

Uma leitura apressada e redutora veria nessa narrativa uma metáfora da exclusão social. Mas, como em todas as outras histórias, há signos que não se encaixam, que transbordam de qualquer interpretação unívoca.

Mesmo em Errabundos – Um Roteiro em Ficha Corrida, aparentemente o conto mais “realista” do volume, sobre um seqüestro praticado para a libertação de um preso, a estranheza está presente na forma do relato, em sua estrutura espiral, em suas ostensivas repetições.

Há nos contos de Tony Monti (ganhador do Prêmio Nascente, da USP, com seu primeiro livro, O Mentiroso, editora 7Letras, 2003) um prazer evidente pelos detalhes inusitados e pelos paradoxos da lógica. Uma atmosfera fantástica que por vezes lembra Kafka, mas sem a gravidade claustrofóbica do escritor tcheco, remetendo antes às traquinagens lúdicas de um Italo Calvino ou de um Julio Cortázar. Imaginação e frescor, em suma, em doses um tanto raras nas letras brasileiras de hoje.

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Joca Reiners Terron, no Guia Livros Filmes Discos da Folha de São Paulo, em 27/02/2009

“Graças ao senso comum editorial de que contos não vendem, o público brasileiro tem perdido a oportunidade de conferir ótima safra de autores dedicada ao gênero nos últimos anos. Se, por um lado, essa idiossincrasia mercadológica restringe os contistas ao mesmo cercado onde estão os poetas, por outro, os libera para vôos formais um bocado mais inquietantes.

O paulistano Tony Monti parece pertencer ao time de escritores que preferem amarelar o sorriso do leitor. Seus pequenos enredos envolvendo a gente minúscula da cidade grande e seus problemas sem tamanho são tingidos de absurdo. Florestas dentro de apartamentos, casas invadidas por cães, tudo pode acontecer na São Paulo zoológica de Monti. A exatidão de sua linguagem tem a precisão musical da fala alheia, certamente por ele perscrutada em seu posto de observação permanente no Baixo Augusta.
(JOCA REINERS TERRON)

Autor Tony Monti
Editora Hedra
Quanto R$20 (96 páginas)
Avaliação ótimo”

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Ricardo Lísias, na Revista Cult 133, de março/2009

 O absurdo como detalhe doméstico
Contos de Tony Monti revelam um projeto literário vigoroso em formação 

A coletânea de contos eXato acidente mostra que Tony Monti está atingindo a maturidade literária. São 16 histórias de tamanhos e estilos variados, com elementos recorrentes notáveis, o que indica a presença de um projeto literário refletido e consequente. A arquitetura cuidadosa, o trabalho medido e bem pesado e as questões sempre envoltas pela tensão que caracteriza nossa época, nervosa e violenta, demonstram que estamos de fato diante de uma literatura vigorosa em formação.

Quase todos os contos tratam da classe média pretensamente ilustrada, e muitos deles se passam em um dos cenários urbanos privilegiados desse estrato: a capital paulista. Mesmo que na maior parte das vezes apareça apenas aludida, é na cidade de São Paulo que se concentram, por exemplo, os pseudointelectuais atrás de um filme de arte, uma das figuras mais bem retratadas pelo livro. O autor demonstra que por trás da postura esclarecida, levemente superior e autoconfiante, estão muita solidão, certa dificuldade para entender os próprios hormônios e uma carga bastante elevada de frivolidade.

A melancolia percorre o livro e às vezes se manifesta em um erotismo desavisado e deslocado, como no improvável estudante que, enquanto observa a namorada nua e sonolenta, redige uma crítica a um filme alternativo e vai se sentindo, aos poucos, como se estivesse testemunhando a própria nouvelle vague – em Paris, é claro. Diverte muito ver os paulistanos ilustrados na rua Augusta, descoladíssimos, na fila do novo filme elegante, achando-se propriamente na capital francesa. Parte das personagens de Tony Monti pode ser encontrada nesse ambiente. É difícil saber, aliás, por que o público do circuito alternativo de cinema de São Paulo, representativo da superficialidade de nosso tempo, nunca apareceu na literatura. É provável que a resposta deva conter um argumento meio constrangedor: é esse mesmo público que não apenas consome a literatura contemporânea como, mesmo que adore falar de bandidos e marginais, também a produz.

Reposição do absurdo
O absurdo percorre também muitos dos contos, mas desta vez aparece reatualizado. A propósito, parece-me que um dos maiores ganhos de eXato acidente, em termos literários, é justamente a reposição desse conceito, observado como um elemento básico da paisagem. O absurdo de Tony Monti é parte de um cotidiano espantosamente natural. Uma das melhores mostras disso está no muito bem feito “O atentado “. O conto se estrutura por meio da divertida acumulação de siglas. A realidade é totalmente distinta da nossa, muito próxima dos textos de ficção científica, mas as siglas vão se aproximando das do cotidiano, até que o absurdo deixa de ser um elemento de espanto, e aparece como trivial. A APEC, a LimP, a UnE e um inspiradíssimo PdF torna tudo muito íntimo e, se não mesquinho, banal.

Outros elementos recorrentes são o jogo de xadrez – sua ordenação na verdade alucinada – e sobretudo os animais. Tigres e outros felinos servem para denunciar uma evidente filiação literária de Tony Monti, mas vão além: de novo, trata-se de um recurso para mostrar que o absurdo é só um detalhe doméstico.

Todos os textos são muito bem-acabados, mas há uma pequena novela extraordinária: “Errabundos, um roteiro em ficha corrida”. Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores ficcionalizações da violência urbana brasileira. Dado que quase todos os escritores contemporâneos tentaram o mesmo, habitualmente naufragando em clichês inacreditáveis, o ganho de Tony Monti é dobrado. O texto se refere aos atentados que há poucos anos pararam por um dia a cidade de São Paulo. São fragmentos descolados, pouco precisos e muito tensos, em que se unem a corrupção policial, o crime organizado e fatores da psicologia humana. Tudo construído com muito acerto na escolha vocabular e em uma arquitetura formal rara. De fato, essa novela é uma pequena jóia em meio não apenas à literatura, mas aos rios de palavras que tentaram compreender os atentados da facção criminosa PCC.

eXato acidente parece ser mais um argumento para comprovar que a literatura brasileira está finalmente saindo do fundo do poço onde se enfiou nos últimos anos. Já é possível perceber, aqui e ali, com certa timidez e poucos textos, um conjunto mais coeso de obras bem-acabadas quanto à técnica, conscientes dos problemas relacionados tanto ao próprio trabalho literário quanto à sociedade contemporânea. Ou, para ser preciso: conscientes da noção de que ambos não se diferenciam. O começo está sendo melhor que o esperado.

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Fabiana Jardim, no blog Margens Sociológicas, em 13/02/2009.

O menino, o acidente
Para Ana Lúcia

Meu orientador, pelo breve período em que fui aluna do Departamento de Teoria Literária, me aconselhava a anotar sempre as primeiras impressões que um texto me provocava – sem pensar muito, imediatamente após terminar de ler. Segundo ele, as primeiras impressões que o texto causavam eram a melhor porta de entrada para a análise, apontando as pistas a serem seguidas. Acho que ele tem razão (lembrem-se que estamos falando de textos literários).

Quando acabei de ler eXato acidente, o terceiro e mais recente livro de contos de Tony Monti, fiquei um pouco sem palavras, anotando uma espécie de incômodo, a lembrança do conto “O Bufálo” (Clarice Lispector) e a sensação de que – ao contrário do que o próprio autor propunha – o livro não chegava a representar uma mudança radical em relação ao anterior (e lindo) O menino da rosa.

Então, recentemente, me peguei pensando sobre o que me levou a deixar a Sociologia e ir para a Teoria Literária, e minha decisão tinha fundamentalmente a ver com o método de análise do texto literário. Eu me sinto incapaz de construir uma análise que não esteja pautada pelas sugestões do próprio texto. É claro que não acho que o contexto social-econômico-cultural-etc. não seja relevante para a tessitura da análise – sou socióloga, afinal. Mas me incomodava que o estilo da análise que me interessava fazer sempre recebesse o mesmo comentário: isso não é sociologia.

Desde a primeira vez que li os contos do Tony – O Mentiroso, ganhador do Prêmio Nascente da USP em 2002 – senti que havia ali algo diferente em relação aos autores contemporâneos, em especial os mais jovens (nota: isso é uma generalização, uma impressão geral e, por isso mesmo, não é a verdade inteira, não é nem sequer uma meia verdade). Os livros dos autores jovens que eu lera até então me pareciam marcados pela agressividade e pela violência – não pelos termos utilizados (ou não apenas), mas pela relação com a linguagem: eles usavam as palavras como armas de destruição em massa. Ou, para usar um termo que está super na moda há algum tempo, eles usavam as palavras para “desconstruir”. Oras, como diz uma amiga minha, quem “desconstrói” é empresa de demolição! Esse tipo de literatura realmente não me toca: ainda que eu possa partilhar das inquietações que possibilitam sua emergência, não me agrada a solução formal encontrada por elas. E é justamente na solução formal que os contos do Tony são primorosos.

Foi me dando conta disso que consegui (acho) compreender melhor as impressões que a leitura de eXato acidente me provocou.

Os contos do livro são permeados – algumas vezes inteiramente mergulhados – em situações absurdas. Às vezes, o absurdo está no ponto de partida; outras, ele simplesmente irrompe num cotidiano que tinha tudo para ser normal. Algumas resenhas lembraram as relações com Cortázar, por exemplo. Mas como estou seguindo a pista das minhas primeiras impressões, vou aqui argumentar que o absurdo aparece porque ele adota olhos de menino (daí minha sensação de uma mudança menos incisiva em relação ao livro anterior).

eXato acidente é uma espécie de busca de compreensão da violência – daí a referência ao conto “O Bufálo“, em que a Clarice narra o percurso de uma mulher que busca aprender o ódio. Ela vai ao zoológico, esperando aprender com os bichos a odiar – procurando na violência do ódio uma resposta à violência de ter sido abandonada por um homem. São violências que o próprio Tony já ensaiara pensar – em “Pão e Circo”, por exemplo, d’O Mentiroso – mas que agora, narradas por um autor mais maduro, ganham acabamento formal original, transfiguram-se, viram ficção. E, na medida em que se descolam de um olhar mais horizontal e descritivo, ganham em eloquência.

O absurdo pode ser revelador da ordem, e – mais frequentemente – da desordem. É possível que narrativas com elementos de absurdo, permaneçam no reino do absurdo, o que de certa forma é mais confortável para o leitor. Os contos do Tony, porém, não nos dão essa facilidade: ele mistura real e absurdo de uma maneira que um necessariamente confronta o outro.

A epígrafe do livro é uma das minhas citações prediletas do Tony – “Vem comigo, te explico no caminho”. É um convite e uma promessa, tão singela e tentadora que é difícil não estender a mão e andar com ele. O que a gente não sabe é que o caminho que o Tony escolheu é um labirinto, e que no meio tem uns espelhos de reflexos incômodos, que mudam nossa percepção sobre nós mesmos.

O livro fala de violência, embora apenas um um conto haja uma situação de violência propriamente dita. O modo de escrever não é agressivo, ao contrário, é límpido e claro (como nos outros livros, aliás). Mas é um livro profundamente incômodo: literatura das melhores.

Na dedicatória que o Tony me escreveu – comprei o livro direto com ele e ele me enviou pela correio – ele fala em “arsenal de ficções e vida”. Realmente, não me seduzem os livros que parecem armas de destruição em massa. Sou muito mais as soluções encontradas pelo Tony, soluções propriamente literárias, capazes de suscitar emoções e pensamentos que, ao invés de ter que destruir tudo pelo caminho, são “armas” precisas para que a gente faça esse exercício cotidiano de sobreviver e viver.

E o que isso tem a ver com um método sociológico de análise do texto? Parto do princípio de que, além do conteúdo expresso, a solução formal encontrada pode ser uma fonte de conhecimento sociológico. Nesse sentido, é tão legítimo analisar um livro de literatura engajada, sobre temas sociais por exemplo, quanto analisar um livro que trata de outros temas. Para fazer uma sociologia da literatura, a forma importa, a solução formal importa – às vezes bem mais do que o contexto – e é capaz de lançar luzes sobre aspectos da sociedade que as categorias sociológicas não estão acostumadas a olhar.

O problema portanto é ampliar os instrumentos de análise para que se possa começar a olhar em direções para as quais normalmente não olharíamos.

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Jornal Rascunho, fevereiro de 2009, por Marcio Renato dos Santos

PARA LER ATRÁS DE ARRANHA-CÉUS OU NÃO

Provocar estranhamento é profissão de fé de Tony Monti. Escrever um conto, para esse autor paulista, é vislumbrar e se embrenhar por veredas ainda virgens, ou então pouco transitadas. Se a tradição existe, Monti a conhece, mas quer, ele mesmo, reescrever uma nova possibilidade e, se o tempo quiser, poderá (quem sabe?) essa prosa vir a ser uma nova tradição. Mas isso é bossa pro futuro.

O cinema é item, elemento, cenário, recurso que está direta e indiretamente assimilado, deglutido e processado em alguns dos 16 contos de eXato acidente. Mas Monti não faz prosa para ser adaptada para a tela grande. A ficção montiana é para ser lida, talvez até em voz alta, sobretudo em silêncio. P trabalhar a palavra, com a perspectiva do silêncio, é a missão do autor: “Ana Clara é a mulher mais bonita deste mundo. Não conheço outros mundos.”

O imaginário do autor abre espaço para oníricos ou surrealismo que sejam, e porta aberta, chegam cães, tigres, árvores, mestres, mendigo à beira de um Tietê qualquer, amantes que esquecem de tudo e mesmo no risco da morte que representam os candiru, ora direis, ouvir Tony Monti. Ora Anas, tantas que surgem nestas linhas montianas, ora cinema que enovela as vozes narrativas de Monti: “Ana não vai ao teatro porque no teatro pode-se ver o cuspe do ator, sentir o cheiro das coisas. Não o cuspe proposital: o cuspe que escapa. No teatro pode-se ver o pó que não é elemento de cena. (…) Cinema é mais higiênico.”

Se Augusto Monterroso, e seu célebre menor conto do mundo reza que “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”, Tony Monti e sua personagem recorrente conversam com o autor da Guatemala: “Quando Ana acordou, a lesma ainda estava lá”. Monti mergulha em referências e não deixa rastros muito óbvios, nem no mar céu, terra, fogo – eis que o prosador escreve, abre, inaugura uma avenida personalíssima para fazer passar a sua banda, seus personagens, sua ficção enfim.

O burburinho aumenta e as páginas de eXato acidente se aproximam do fim, e não há happy end em nenhum desses contos nada exemplares que esse autor engenhou. Se é possível dançar mesmo sem saber, “Errabundos” se faz o ponto incomum desta linha montiana: uma história desconstruída, onde final está no início, o meio é outra coisa e o fim deste jogo de amarelinha de Osasco é mesmo um jogo-conto de monta, desmonta, tudo é possível na ficção se o nome é Tony Monti.

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Levi Bucalem Ferrari, em seu blog, 28/04/2009

De uns tempos para cá, tenho observado um fenômeno digno de nota no mundo editorial. Enquanto o romance estabelece com o leitor uma relação mais previsível e, muitas vezes, mais comercial, este mesmo gênero tende a ficar um pouco mais amarrado, menos arrojado em relação às inovações temáticas e formais.

Enquanto isso, o experimentalismo, a trangressão e a inovação têm migrado em muitos casos para o gênero conto. Peço ao ouvinte que não conclua erroneamente que todo romance atual é previsível e todo livro de contos é mais criativo. Observo uma ligeira tendência e nada mais.

Entre esses casos, destaco o livro Exato acidente de Tony Monti. Seus pequenos enredos envolvem as pessoas mais anônimas da cidade com seus problemas de todos os tipos e sempre próximos do absurdo.

Há desde florestas dentro de apartamentos até casas invadidas por cães, enfim muitas coisas que podem acontecer numa cidade zoológica criada pelo autor. E narradas num estilo muito urbano e pessoal que certamente surpreenderá o leitor.

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Thais Bilenky, em Terra Magazine, 22/11/2008

Olhar de estranhamento nutre novo livro de Monti 

O novo livro de Tony Monti, eXato acidente, dá um passo além na empreitada do autor às estranhezas do cotidiano. Os 16 contos que compõem a obra alternam animalização de personagens humanos e humanização de personagens animais. O universo que habitam não raro causam estranhamento.Em um conto, “uma floresta é plantada dentro de um apartamento. Nesta história, o universo é o prédio inteiro. A floresta, ali onde se encontra, é um elemento estranho”, explica Monti, colunista de Terra Magazine.

Noutro conto, “uma casa é invadida, sem explicação, por trezentos cães. Tudo se passa ali dentro da casa. O elemento estranho é a invasão dos cães, que é quase corriqueira”, exemplifica.

O olhar incomum que Tony Monti tranforma em palavras vem de sensações que o autor enfrenta no dia-a-dia. “Não acho que o mundo seja um lugar amigável, fácil de ir apenas vivendo”, diz. Para Monti:

– É o cotidiano mesmo que é estranho e é nesse cotidiano que a selvageria acontece. Me parece que, no dia-a-dia mesmo, as pessoas estão o tempo todo perto de um rompante ou de uma explosão que leve à superfície suas potências menos educadas.

O título da obra, eXato acidente, decorre do flagrante que os contos empenham de “momentos significativos, bons ou ruins, que brotam de um desconrtole, de uma explosão, do inesperado”, relata o autor.

Sobre a grafia, o autor indica que “esse X maiúsculo marca bem o ponto eXato, o que é mais significativo que apenas inciar uma palavra por maiúscula porque uma regra diz que é assim”.

Em alguns contos, Tony Monti faz uso de um recurso narrativo que considera “a princípio uma coisa simples”. Ao duplicar, triplicar, quadrupiclar narradores, “a história escrita se torna o conjunto dos enunciados dessas vozes”.

Por exemplo, no conto “Rio só curva”, um morador de rua conta alguns episódios de sua vida. Um segundo personagem conta mais alguns episódios, um terceiro dá algumas opiniões.

“Em outros contos, a coisa se complica um pouco mais. O limite e a identidade das vozes ficam menos precisos”, diz Monti.

O escritor estreou em 2003 com o livro O Mentiroso (7Letras). Quando ainda inédito, a obra ganhou o Prêmio Nascente, promovido pela Universidade de São Paulo. Em 2007, publicou o menino da rosa (Hedra).

eXato acidente é publicado pela Editora Hera, tem 96 páginas e custa R$ 20,00. A publicação contou com o auxílio de uma bolsa do PAC, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. 

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Jornal Página Zero, em 20/02/2009
http://www.paginazero.com.br/v2/canais/cultura.asp?id=1053

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Gazeta Mercantil, em 18/04/2009
Jornalista e autor precoce de romances, Monti assume que seu novo livro é resultado de um processo longo e confuso. Nele, o escritor combina frases cortantes, humanização e animalização das personagens em universos bizarros, que narradores fora de “foco” descrevem sem se dar conta do que estão fazendo. Resultado: uma obra literária muito interessante.

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Diário do nordeste, 15/10/2009.

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6 Respostas to “eXato acidente”

  1. […] eXato acidente […]

  2. […] eXato acidente […]

  3. […] eXato acidente […]

  4. […] eXato acidente […]

  5. […] Postado no Janeiro 28, 2009 por diana de hollanda Já conferiram o último do Tony? O livro fala por si, segue um […]

  6. Ana César said

    Caro Tony, postei a indicação de seu livro no meu blog.
    Parabéns pela empreitada literária.
    Um Novo Ano de muitas realizações para você.

    Ana

    dezembro 30, 2008

    Ana César http://www.stoa.usp.br/anacesar/weblog/

    Literatura Brasileira: eXato Acidente – Contos

    eXato acidente capa de eXato acidente
    TONY MONTI
    Editora: Hedra

    SOBRE O AUTOR: Doutorando em literatura pela Universidade de São Paulo, Monti lança agora o seu terceiro livro de contos. O primeiro, “O Mentiroso” (2003), recebeu o Prêmio Nascente, promovido pela USP.

    TEMA: As historietas tratam do cotidiano, mas de um cotidiano sem encaixes lógicos, em que girafas passeiam pela cidade e tigres moram em apartamentos.

    POR QUE LER: Monti recebeu uma bolsa do PAC pelo projeto deste volume. Sua prosa é seca e direta, e as surpresas ficam para os elementos quase oníricos que, não raro, saltam aos olhos do leitor logo nos primeiros parágrafos.

    “Há nos contos de Tony Monti um prazer evidente pelos detalhes inusitados e pelos paradoxos da lógica. Uma atmosfera fantástica que por vezes lembra Kafka, mas sem a gravidade claustrofóbica do escritor tcheco, remetendo antes às traquinagens lúdicas de um Italo Calvino ou de um Julio Cortázar. Imaginação e frescor, em suma, em doses um tanto raras nas letras brasileiras de hoje.” (Terra Magazine)

    Palavras-chave: Contos, Literatura Brasileira, USP

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