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USP – notas sobre uma esquizofrenia conveniente

Posted by Tony Monti em 07.11.2011

Estudei na USP por muito tempo, graduação, mestrado, doutorado. Ainda venho à biblioteca para ler e escrever. Oficialmente, há alguns meses não sou aluno da universidade. Neste instante, escuto daqui as vozes dos alunos em assembleia. A 300 metros daqui, a reitoria está ocupada por alunos. Os fatos se repetem. Gostaria de dar alguns palpites desarticulados.

1. A cidade universitária é um espaço estranho. Ele é em alguns contextos integrado à cidade e em outros isolado dela. Quando uma parcela dos frequentadores do campus quer a PM fora da universidade, eles se alinham com as situações em que a USP se afasta das leis urbanas. Por virar as costas para a cidade, o campus deixou também de ter uma estação de metrô.

À primeira vista, pode parecer que são sempre os mesmos grupos que defendem um dos dois lados da estrutura, incluir-se na cidade ou excluir-se dela. Não acho que seja assim. Para o grupo que usualmente ocupa o poder, a esquizofrenia é conveniente. Pode-se querer integrar os elementos da cidade que reforçam a autoridade do reitor, sem ter que abrir a universidade a um debate público sério.

Fica mais fácil assim acusar o grupo opositor de “machonheiros que escondem o rosto como bandidos” a partir de uma estrtura autoritária e fechada da universidade, ainda que, à primeira vista, a entrada da PM seja uma abertura dos portões. Troca-se uma questão política que envolve o governador e a estrutura de Estado por uma questão moral rebaixada, três pessoas supostamente fumando maconha.

Imagino, sem saber a resposta, se não seria melhor abrir os portões para todo mundo, o tempo todo.

2. A cidade unviersitária é um lugar esquisito também porque parece que muito é feito para isolar. Os prédios são distantes e alguns dos frequentadores do campus acabam não convivendo para além do seu grupo de trabalho ou estudo específico.

O campus da universidade não é mesmo um lugar seguro. Há grandes espaços vazios, escuros, ermos. A segurança desses espaços é complicada. Suponho que iluminação e câmeras de segurança poderiam resolver em parte os problemas.

Àqueles que estão preocupados com o uso de drogas, com delinquência e com a cirminalidade associada, sugiro frequentar a usp e depois dar uma passada na cracolândia. A lei não é uma faca tão afiada assim, ela responde a interesses que não são neutros. Há atos ilícitos em toda a cidade. Abordar alunos que supostamente fumavam maconha me soa como provocação e demonstração de um poder moralista e enviesado, além de, como já foi dito, reduzir uma questão política ampla a um delito (suposto) isolado e com consequências restritas.

3. A universidade não é uma só. Além do enfrentamento político, é evidente que uma parte do campus é mais bem tratada que o outra. Caminhe pelas diferentes unidades, pelas salas de aula e verifique a aparência dos locais. Na FFLCH, há alguns anos, houve uma greve pela contratação de professores porque havia disciplinas com mais que duzentos alunos matriculados (ainda que dar aula para 200 alunos pudesse ser um método pedagógico, não havia espaço físico para receber tantos alunos ao mesmo tempo). Por motivos assim, há greves. Poucos anos antes, também na FFLCH, instalaram ventiladores nas salas de aula. Um deles desabou do teto. Para não machucar ninguém, todos os demais foram desligados. Justo. Na FEA, a poucos metros dali, havia já cadeiras estofadas e ar condicionado, acabamento de primeira no chão e nas paredes, turmas pequenas. Onde você acha que a placa que diz que há internet sem fio corresponde a uma rede wi-fi estável? Onde você acha que os computadores funcionam?

É muito difícil gerir um espaço assim. Não existe uma usp homogênea, nem um aluno, nem um professor, nem um funcionário. Há vários. É óbvio. Mas há um perigo quando se respode a esta fragmentação de pensamento com uma simplificação absurda que diz que de um lado estão os corretos e do outro estão os maconheiros. Inventaram um pacote de características fixas para cada lado. Aderir a uma ideia ou comportamento de um lado seria como comprometer-se com um partido. O debate fica suspenso. A universidade, que deveria ser um espaço de discussão, da palavra, passa a ser um lugar onde o detentor do poder elimina o outro com a força (policial). A ocupação da reitoria pode não parecer para alguns um método razoável, mas o que fazer quando o comportamento dos ocupantes de cargos de direção na universidade têm um governador, uma lei que distribui mal o poder no campus e a polícia a seu lado? Não foi a ocupação da reitoria que suspendeu o diálogo. É bastante óbvio que a polícia no campus cumpre um papel político que ajuda a suspender o debate público.

4. Não vejo solução. Invadir a reitoria faz barulho fora dos muros do Campus. Acho importante. Mas isso não tem comovido a opinião pública, que vota no governador e que poderia fazer pressão em quem tem poder para decidir. Não consigo imaginar uma estratégia, mas suponho que qualquer uma passaria por conseguir explicar para pessoas fora do campus e para os contrários à ocupação(dentro do campus) que a situação tem mais nuances do que uma briga de torcidas. As pessoas que invadiram e ocuparam a reitoria não são ogros truculentos acéfalos e inconsequentes.

A politização, se for possível, é um processo, não é um decreto. Leva tempo.

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17 Respostas to “USP – notas sobre uma esquizofrenia conveniente”

  1. […] 2 Um artigo que escrevi há alguns anos, em outra greve, sobre a conveniência, para a manutenção desigual do poder na universidade, de se oscilar entre a lógica de integrar ou separar da universidade na sociedade: USP – notas sobre uma esquizofrenia conveniente […]

  2. Rafael said

    Louvável, seu text cara. Colocou tudo o que vc pensa. Mais perceba, num pais onde a corrupção reina impune, onde uma ladrão de galinha fica peso enquanto um político rouba milhões e fica livre, a única solução foi o aquela mesmo. Como se jano bastasse todos os problemas use a sociedade atual já tem, agora essas pessoas que tem tudo do bom do melhor, simplesmente invadem um patrimônio publico, o depredam pelo simples fato de não quererem a policia lãs. Um absurdo! Essa gente, na minha opinião, teve o que merecia.

  3. […] – colunas Terra Magazine – Revista Cult « USP – notas sobre uma esquizofrenia conveniente […]

  4. vercetti said

    Blá, blá, blá a Veja e a Folha são maus, todo mundo que não concorda comigo é alienado e fascista.

  5. Lacerda said

    Vc é maconheiro?

  6. Flavia said

    Gostei. E concordo com você. São tão diversos em termos de opiniões, crenças e filiações políticas os estudantes quanto qualquer grupo por acaso assim reunido: como qualquer audiência de blog ou grupo que se interesse por uma questão. Aliás, como já fazem décadas esse discurso que endemoniza partidos, que a garotadinha que está lá na universidade agora cresceu absorvendo esse discurso. O resultado é que na verdade, a turma dos chamados independentes (ou seja, sem partido) é muito maior do que dos que pertencem a partidos todos juntos. Ser independente está, hoje em dia, em conformidade com a ética da maioria deles (como se fazer parte de um partido não fizesse parte do horizonte de uma pessoa que tem independência de escolha).

    Posso só colocar uma ressalva?
    Invadir a reitoria só causa barulho depois que se começou a fazer o seguinte:
    1. a reitoria não dá audiência aos alunos nem a pau.
    2. a reitoria fica trancada a 7 chaves.
    3. se entrar na reitoria chama a PM e tira na porrada.

    Como é que foram as invasões da reitoria antes (desde quando eu não sei, mas até 1994 era assim)
    1. o espaço da reitoria era aberto: os “invasores” entravam e sentavam-se no chão
    2. a secretária do reitor vinha ver o que queríamos,
    3. a gente acabava falando com alguém ou lendo uma lista de demandas em uma reunião e terminava ai. (ou reiniciava-se o processo… sempre tranquilo como o descrito).

    Invasão era, então, uma manifestação de meia duzia de gatos pingados: como o canal estava relativamente aberto, os estudantes não sentiam que precisavam fazer grandes números ou acampar na reitoria pra sempre pra sermos ouvidos, então a maioria dos alunos delegava pra representantes. Não que a reitoria atuasse sobre as reclamações e concordasse com tudo: pelo contrário, muitas coisas caíam em ouvidos mortos, mas o que não havia é a total recusa de conceder uma audiência. A gente sempre acabava conversando.

    Portanto, esse é o fato que dá estopim a toda essa infâmia da reitoria: a sua recusa em conceder uma audiência.

    No começo da década passada os reitores escolhiam a saída mais política. Nos anos 2000 os reitores escolhem empilhar barris de pólvora e acender o estopim. Tudo feito pra então chamar as TVs pra mostrar pro mundo como os estudantes são baderneiros.

  7. Gabriel said

    Respeito sua opinião e ponto de vista. Mas gostaria de expor para você e para os leitores o seguinte texto de um conhecido:

    OS SARNEYS DA FFLCH/USP

    José Sarney se tornou um emblema das regalias de que gozam os parlamentares no Brasil. No auge do escândalo do ano passado, o então Presidente da República disse que o aliado acusado não poderia ser tratado como uma pessoa comum.

    Os estudantes rebeldes da USP, a exemplo do que foi dito de Sarney meses atrás, também não se consideram pessoas comuns. Não são todos, claro, trata-se daquela velha minoria que enche o saco dos que querem apenas estudar.

    O dado curioso é que justamente essa minoria se julga ou proletária ou ao menos representantes de praticamente todos os oprimidos. Ao mesmo tempo, porém, fazem a teratológica reivindicação de que, para si, a lei dos homens comuns não deve ser aplicada.

    Fatos ocorridos: há certo tempo, estudantes pediam mais segurança no campus, por conta de crimes ocorridos. A PM, responsável por isso, sobretudo em espaços de propriedade do governo estadual, passou a fazer mais rondas na USP. Desse modo, ao flagrar alguns jovens usando maconha, prenderam-nos por conduta ilegal.

    Parece algo simples, de fato é mesmo algo simples, mas a FFLCH tem aquela famosa minoria que não possui o raciocínio como algo forte – ou então, claro, torcem as conclusões para favorecer seus interesses.

    E houve o que houve: protestos CONTRA a polícia no campus, não por qualquer arbitrariedade ou ato violento, mas sim porque… CUMPRIRAM A LEI. E mais: se o PM não efetua a prisão em flagrante, ele se torna cúmplice e, de cara, comete prevaricação.

    Há vários anos, sob a ditadura militar, a polícia era vista como uma força dos governantes opressores e, desse modo, sua presença no campus tinha um outro caráter. Hoje, em plena democracia, não tem o menor cabimento cogitar a dispensa das rondas policiais num lugar como a cidade universitária – tanto mais após a incidência de crimes.

    Então, o que quer essa minoriazinha? Queimar um fumo em espaço público sem o inconveniente de acabarem presos. Querem regalias, querem estar acima não apenas das leis, mas das pessoas comuns.

    Querem o direito de fazer o que ninguém pode e curiosamente ostentam não apenas bandeiras de igualdade, mas também outras nas quais defendem toda sorte de categorias supostamente oprimidas, muitas vezes incluindo a si próprios dentre os hipossuficientes sociais.

    O movimento estudantil brasileiro, infelizmente, vem caindo em descrédito e a queda é cada vez mais profunda – meio que abrindo alçapões sucessivos a cada suposto fundo do poço. A UNE, p.ex., teria empregado dinheiro público na aquisição de uísques, vodcas e outros materiais não exatamente didáticos.

    A microturminha rebelde da FFLCH, por sua vez, começou invadindo e depredando o predio da reitoria, desobedecendo ordem judicial de reintegração de posse e, depois, ainda se metiam em greve de funcionários. Agora, finalmente, mostraram o que são de forma insofismavelmente clara.

    Dizem ser/defender o povo, mas querem regalias que ninguém do povo tem (não que a prática de um crime seja “regalia” no sentido mais estrito, mas a analogia serve). E o lado bom disso tudo é que ninguém mais os apóia.

    Fonte: Gravatai Merengue – 30/10/2011

    Agora, quanto ás minhas próprias opiniões:

    “Abordar alunos que supostamente fumavam maconha me soa como provocação e demonstração de um poder moralista e enviesado, além de, como já foi dito, reduzir uma questão política ampla a um delito (suposto) isolado e com consequências restritas. ”

    Sinceramente, se você não fumar um de vez em quando ou for a favor da legalização da maconha tem algo errado. Fumar maconha em meio público tudo bem, abordar os fumantes (que estão comentendo um delito) te soa como provocação ? Porque exatamente ? Como mencionado acima, não houve abuso de poder ou agressões, o que aconteceu foi a polícia fazendo seu trabalho, como faria com alguém que estivesse roubando, depredando e etc…

    “É bastante óbvio que a polícia no campus cumpre um papel político que ajuda a suspender o debate público.”

    Mesmo ? Quantos debates foram reprimidos pela polícia depois do início da atuação dela no campus ? E por debates eu me refiro a círculos de discussão em torno de assuntos que interessam ao público. Sou de Belo Horizonte, mas conheço muitos alunos (não maconheiros, não vagabundos) para os quais a presença da polícia fez pouca ou nenhuma diferença nas atividades desempenhadas, no que tange à repressão.

    Seu texto é válido, mas infelizmente parece concordar, corroborar com atitudes dos “manifestantes” que lutam pelo direito de fazer o que querem, sem o menor respeito à comunidade onde estão inseridos.

  8. Guedes said

    Não entendo quais consciências as universidades estão formando. Vejam só: alunos flagrados fumando maconha dentro do campus. A Policia tomou as medidas necessárias. Autuou e os mandou ṕara casa. Os colegas protestaram contra o flagrante dentro do campus feito por uma polícia que eles mesmos reivindicaram devido á violencia que ocorre naquelas instalações. Ora, o uso de drogas ilicitas incita um mercado grandioso e não menos cruel. Usar drogas é incentivar essa industrial da degradação e do crime. Quer dizer então que reprimir os bandidos mas dentro da USP tudo é permitido? É muita miopia. Parece que os alunos estão ali só por um diploma. É um alheiamento da situação que dá pena. O contribuinte está pagando apra que eles fiquem chapados. Ridículo.

  9. Lucas Couto said

    Tenho alguns pontos de divergência, mas queria me concentrar em um.

    Li ontem que a greve geral na Usp foi aprovada, em protesto à prisão dos estudantes, por uma votação no prédio da História, com 3mil estudantes. Primeiro, tenho algumas dúvidas em relação a esse número, mas de qq maneira, ele representa uma parcela mt pequena do universo de estudantes da Usp, de 90mil alunos, segundo a infalível Wikipédia =)

    A votação foi feita à noite, quando pelo menos 30% do campus está em aula (chute meu) e dentro do mesmo modus operandi de sempre.

    A verdade é q os grupos q dizem representar os alunos não os representam, e não querem ser mais democráticos, pq sabem que, se realmente ouvirmos todos os alunos, a posição deles não sairá vencedora.

    Nos meus tempos de uspiano cheguei a debater a questão com alguns membros do DCE, e sabe o q nós, da ECA, ouvimos? Quem nem todos mereciam votar, pq nem todos eram politizados o suficiente para entender a questão.

    Minhas conclusões, o DCE não representa os alunos da Usp, e não quer representar.

    Em meus 27anos, nunca ouvi dizer de policiais entrando em uma sala de aula pra impedir um debate de idéias.

    O problema é q, por não serem representativos, o único meio que DCE, Sintusp, etc tem para serem ouvidos é em atos ilícitos, forcando goela abaixo suas convicções nos outros universitários. Alugar um trio elétrico pra ficar do lado da Poli é ridículo. Ameaçar estudantes q querem ir pra aula é ridículo.

    Apesar de defender a legalização da maconha, não consigo me solidarizar com os alunos q invadiram a reitoria, pq só estou vendo o mesmo autoritarismo q via há 7 anos, qnd ainda era aluno.

  10. […] e comente o artigo do genial Tony […]

  11. Tulius said

    Olá Renato, concordo em parte com a sua posição. Muitas vezes o investir dinheiro vai na contramão daquilo que se espera de um aluno ou instituição perante a sociedade. Os moldes que vejo, hoje, Poli, FEA, IGC são estruturas que atendem uma demanda de mercado específica, ou seja, os interesses nestas unidades muitas vezes não são aqueles direcionados as dinâmicas das sociedades atuais. Eu trabalhei em institutos de pesquisas, instituições, estas, de caráter público, bem como, em instituições privadas e fica nítido a forma de se fazer pesquisa nestas instituições. Em quanto uma zela pela reflexão, discussão e análise do problema, a outro só interessa-se pelos resultados e, que, consequentemente não leva em consideração a análise do problema. Muitos de vêm discutindo o papel das empresas júnior no âmbitos das ciências humanas. Sou favor destas, mas sempre com o propósito de que os trabalhos sejam voltados para a sociedade e não para uma determinada empresa.

  12. Adriano said

    Concordo que o isolamento da USP é inaceitável, tendo em vista que a verba que a sustenta é pública. É como o filho que recebe mesada mas não quer ver o pai…Do ponto de vista urbanístico é um erro grotesco, pois universidade, como próprio nome diz, é para permitir a interação dos conhecimentos diversos.
    Sobre a disparidade entre infraestrutura da FEA e da FFLCH é claro que a FEA encontrou um caminho que muitos questionam, mas os resultados são visíveis. A FEA irradia conhecimento para toda a estrutura empresarial do país. Do meu ponto de vista a universidade deve existir para propagar conhecimento, formar profissionais e principalmente pesquisa. Na FEA é feita muita pesquisa básica (no campo organizacional claro), assim como em várias universidades voltadas ao mercado como Harvard, MIT etc…A FEA forma a maioria de doutores que vão compor os quadros das universidades federais. De fato, a USP, em minha lembrança, nunca foi tão bem avaliada internacionalmente. Vedar o acesso ao patrocínio empresarial, como muitos argumentam, só aumenta o isolamento da USP, e inviabiliza o desenvolvimento da universidade em razão do peso das aposentadorias sobre o orçamento.
    Por fim, quanto aos protestos, só tenho a comentar o seguinte: eu fui ao estacionamento da FEA no dia que mataram aquele rapaz. Estive lá e estranhei a movimentação de policiais. Achei que tinham prendido um ladrão de carros. Por cerca de 10 minutos não fui eu a vítima. Eu trabalho e tenho família. O rapaz morto trabalhava e tinha família. Sob que argumento alguém quer restringir o policiamento na USP? Para isolá-la? Para poder fumar tranquilo ? Para poder beber e sair dirigindo na boa? Se a questão é política, por que não fazem protesto no palácio do governo? Em Brasília? Afinal um governo de esquerda ( com políticas muito boas no geral) assumiu o governo, e rapidamente se esbaldou nos cargos e verbas públicas. Por que não questionam o fato da USP leste não receber os cursos mais tradicionais? Sinceramente, não vejo outra explicação para este protesto a não ser um grupo de pessoas mimadas (pois tem acesso a algo que 90% da população gostaria de ter, sem poder) brincando de fazer política…

  13. Fernando Nino said

    Comentários soltos (respeitando a metodologia do autor rs)

    – Me lembro do tempo em que o campus era um local de integração da comunidade local, daqueles que viviam nas cercanias, em busca de lazer e cultura gratuita numa cidade que não oferecia tantas opções assim (eram tempos sem tantos “Sesc”, sem “Pq Villa Lobos”). Memoráveis show no final dos anos 80, transmitidos pela TV Cultura (Ira, Mulheres Negras e outros tantos). Subitamente e com o pretexto do proteger o patrimônio público, foi limitado o acesso ao campus aos domingos a aqueles que lá estudam ou trabalham. Algo que perdura até hoje. Um pouco contrário ao espírito de uma universidade que deve servir à sua sociedade, não?

    – O deserviço prestado pelos meios de comunicação de massa é revoltante. Vi uma charge no site do Estadão que é risível, pela preguiça jornalística de quem a fez (http://blogs.estadao.com.br/tragico-e-comico/2011/11/07/gap-revolution-na-usp-contra-o-imperialismo/). Show bizarro de esteriótipos. Em tempos de informação rápida, impactante e descartável, a invasão realmente é divulgada ao público em geral como um quase plebiscito pela maconha na universidade.

    – Frequentei a FFLCH (por um semestre apenas, mas estive lá), frequentei a FEA também. Eram (e continuam a ser, pelo que você menciona) estruturas díspares geradas do “patrocínio privado”. Mas, ao invés de desincentivar o mesmo, o foco não deveria estar na criação de um fundo mínimo comum quando da existência de tal patrocínio?

    A propósito – depois das blitze operação Lei Seca, serão implementadas outras para a repressão da maconha, ecstazy e que tais? Se a moda pega…

  14. ceex said

    É, as opções são poucas. A “disputa de consciência” reina, e não sei se isso é benéfico.

    Postei um áudio do Latuff (cartunista) de apoio à ocupação no meu blog, dá uma olhada lá…

  15. Não sei exatamente como cheguei nesse blog mas acabei lendo tudo, e tenho um comentário a fazer em relação ao item 3…
    Nesse item acho que grande parte da culpa vem de quem estuda e leciona lá…
    Não quero desmerecer ninguém, mas o pessoal da FEA e da POLI são muito mais abertos a incentivos externos, falar que uma empresa vai investir na FFLCH é praticamente como atirar pedra na cruz.
    Óbvio que o governo deveria dar conta disso, mas no presente isso não é possivel, as 3 grandes de SP tem um orçamento combinado equivalente a menos de 20% do orçamento do MIT ou de Harvard por exemplo.
    Essa aversão ao capitalismo acaba criando uma bolha que não traz nenhum benefício…

    • tonymonti said

      Olá, Renato.
      Entendo sua questão, mas acho que a entrada de capital privado na usp tem obedecido a uma lógica que privilegia localmente as unidades que recebem este capital. A universidade não funciona como um organismo em bom funcionamento. Nesta questão específica, a universidade funciona como um aglomerado de pequenas empresas. Algumas dessas unidades têm diretamente o que oferecer ao mercado. Outras, têm pouco. A abertura, sem redistribuição do capital dentro da universidade aumenta o caixa de algumas unidades. Para os beneficiados, o problema financeiro está resolvido. Eles viram então as costas para a universidade, encaram o mercado. Mas as pesquisas em humanidades e às pesquisas básicas em ciências exatas e naturais precisam de incentivo não-privado. Se a abertura ao mercado significar também a abertura às regras de mercado, uma parte da universidade estará automaticamente morta. Pesquisa em humanidades e em ciências básicas precisam de mecanismos específicos que não entrem na lógica do lucro.
      (obrigado pelo comentário)

      • Eu entendo, porém isso é um problema que vai um pouco além das universidades e chega na legislação do funcionalismo público brasileiro..
        As empresas que investem querem algo em troca, uma pesquisa sobre petroleo por exemplo, e a universidade nem sempre tem os recursos para desenvolver isso, e precisa de um lab. Se a empresa doar o dinheiro para que a universidade aplique no laboratorio, esse dinheiro some, vai para o estado, é repassado para universidade, e perde a identidade e vira só dinheiro e o lab não sai.
        O modo de driblar isso é a doação do lab em si, e o pagamento direto de bolsas de estudo.

        Assim o investimento não tem como ser dividido…
        Se fosse possivel destinar o dinheiro diretamente, ele poderia ser divido aplicando só o necessario pontualmente..

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