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Isto é um blog – bicho geográfico (notas de pensamento browniano)

Posted by Tony Monti em 18.10.2011

Tenho feito leituras aletórias, sem percurso ordenado, apenas um acúmulo caótico de informação. Meu pensamento tem ficado um pouco assim também, um pouco browniano. Não está fácil escrever um texto com avanços e recuos, com orientação. Tudo bem.

Também não tenho conseguido ler livros até o fim. Tudo parece chato. Ou mesmo que pareça interessante, prefiro começar outro livro a insistir. Logo me ajeito. Exceção é “O velho e o mar”, que eu não tinha lido e que me rendeu algumas reflexões sobre escrever e viver.

Ontem, na sala de espera de um médico, abri “Diferença e repetição”, do Deleuze, que estava na mochila e me pareceu melhor que as edições antigas da Veja que estavam numa mesinha perto. Retirei do livro uma citação que me deu aquele prazer de ver uma ideia organizada. “Pius Servian distinguia, com razão, duas linguagens: a linguagem das ciências, dominada pelo símbolo da igualdade, no qual cada termo pode ser substituído por outros, e a linguagem lírica, em que cada termo, insubstituível, só pode ser repetido. Pode-se sempre “representar” a repetição como uma semelhança extrema ou uma equivalência perfeita. Mas passar gradativamente de uma coisa a outra não impede que haja diferença de natureza entre as duas”. Simples assim.

O trecho me lembrou da diferença entre enigma e mistério, a que já me referi neste blog. Meu contato com a ideia veio a partir de um texto do professor José Antonio Pasta Jr. publicado na revista Novos Estudos (CEBRAP). Lá ele diz
“Como se sabe, enigmas pedem decifração; mistérios admitem unicamente culto e celebração”. Não se parecem enigma e linguagem das ciências, mistério e linguagem lírica? Pasta Jr. defende que devido à formação do país, que passa pelo paradoxo de um liberalismo escravista, na literatura brasileira há manifestações de uma confusão de sujeito e objeto, de eu e outro, e de mistério e enigma. O homem é igual e diferente, senhor de escravos e indivíduo em um Estado Moderno, compadre e cidadão, o outro e o mesmo.

O fato de isto ser um blog e não uma revista acadêmica me dá a liberdade de não explicar nada. Em vez disso, indico os links para o artigo do Pasta e para uma revista que publicou uma entrevista e um artigo dele até então inédito em português.

“O Romance de rosa” – http://pt.scribd.com/doc/54548192/PASTA-Jose-Antonio-O-romance-de-rosa

Entrevista e artigo de José Antonio Pasta Jr na Revista Sinal de menoshttp://sinaldemenos.org/2011/02/24/sinal-de-menos-4/

O Pasta escreve tão pouco…

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3 Respostas to “Isto é um blog – bicho geográfico (notas de pensamento browniano)”

  1. Fabiana said

    Ontem ouvi o José de Souza Martins falando justamente sobre Contestado e Canudos e o paradoxo do liberalismo escravocrata e hoje, lendo Henri Lefebvre sobre representação, pensei muito em você – acho que você gostaria de todas as ideias, de que não há a díade representante-representado, mas a tríade representante-representado-representação, em relação dialética; que a ideia de ideologia é pobre como crítica na medida em que expulsa o vivido das análises; que uma sociologia que pretenda pensar os limites e o possível tem que levar em conta as representações como mediações que permitem o vivido como reprodução mas também como produção… Uma sociologia que procure pensar o mistério, sem negá-lo como mistificação. Parece mesmo fundamental para compreender essa coisa estranha que somos. Beijo.
    * não achei o post nem um pouco chato :-P

  2. Estou aqui pensando se poderia traçar um paralelo entre a linguagem lírica e a da psicanálise, tendo em vista que para psicanálise as palavras escolhidas sempre tem um “motivo”, e não é possível trocar uma por outra sem consequências. Por outro lado, a mesma palavra, sendo significante, possui vários sentidos em si, e pode ser diferente dela mesma a cada uso. Não tenho conclusão nenhuma, mas fiquei com isso,.

  3. tonymonti said

    Post muito chato, a situação não é boa.

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