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Vila-Matas – A viagem vertical

Posted by Tony Monti em 16.05.2011

A leitura de um livro é cercada de instâncias que não são o texto. Há expectativas e contextos, há a vida do leitor, a história dessa vida, os fatos recentes e, em particular o histórico recente de leitura. Eu vinha de ler Roberto Bolaño, com a intenção de ler Roberto Bolaño de novo, e quis intercalar algum livro do Enrique Vila-Matas, que também tinha sido muito bem recomendado. Os dois escritores me parceram neste primeiro contato muito diferentes. O Bolaño tem uma escrita mais suja e uma preocupação evidente com a reflexão sociológica. Ao fim da leitura do Bolaño, eu tinha novos pensamentos sobre o Chile. O Vila-Matas é mais delicado, os fatos acontecem aos poucos, na vida de um personagem específico, não de um país.

A viagem vertical é curiosamente um livro de formação de um homem de 77 anos. O narrador diz isso com todas as letras no último capítulo. Acho que em torno desse ponto se resume o efeito agradável do livro em mim. Depois de ser expulso de casa pela esposa, Federico Mayol é empurrado a uma pequena aventura e a questionar alguns de seus hábitos. Vai ser apresentado à cultura dos livros em um processo que ele chama de cultura sem disciplina. Reescreve assim um lamento por ter abandonado a escola, aos 14 anos, por causa da guerra civil espanhola.

Uma vez, quando eu estava na graduação em Letras, minha namorada me disse que tinha lido um livro, não me lembro qual, que acabava na morte do protagonista; e que, por isso, eu gostaria da história. Na época eu me questionava sobre a necessidade de a boa literatura ser assim tão destrutiva, o que levou, até agora, a muitos pensamentos. A viagem vertical se interpõe a essa tendência, ao apresentar um personagem que experimenta um renascimento aos 77 anos. O livro é agradável e tranquilo, apesar de todas as crises que cercam o protagonista.

O texto bem comportado acompanha o passo de Mayol. A divisão dos capítulos é fácil de entender, e a evolução da narrativa não tem muitos saltos, avança aos poucos conforme avança o personagem. Imagino que seja um livro acessível mesmo a leitores destreinados.

Um detalhe me produziu uma reflexão adicional. A princípio, acho a capa do livro feia. Não costumo gostar de fotografias de pessoas em capas de livros (mas isso é uma bobagem particular). Ainda assim, ao fim da leitura, gosto mais de uma capa feia para um livro bonito, como se fosse uma moldura medíocre, da vida pregressa do personagem, para seu aprendizado improvável.

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