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democracia

Posted by Tony Monti em 31.10.2010

1. Há um grupo de palavras aparentadas, próximas da ideia de liberdade, que às vezes são interpretadas como conceitos anistóricos. A liberdade não é nunca um infinito de possibilidades, a não ser em algum mundo das ideias longe do solo do mundo concreto. Neste lugar abstrato, liberdade seria parente de “tudo” e de “nada”, seria mais parecida com um operador linguístico ou com uma operação matemática que com uma questão do mundo.

No Brasil, a democracia é pensada em contraposição com seu contrário histórico próximo, ou seja, a experiência da Ditadura Militar. Assim, parte do ideal democrático é a liberdade de imprensa, é o voto direto, é o que no Regime Militar faltava.

2. Agrada-me que, depois de um presidente oriundo da massa trabalhadora, uma mulher seja eleita. Agrada-me que se admita uma liderança pública como eles. Mas o país ainda me parece conservador, moralista e violento. Incomodou-me perceber que há quem não tenha votado em Dilma Rousseff com a alegação de que ela é um pouco grosseira. Não gosto que grosseira possa significar pouco feminina, segundo padrões muito específicos, e que isso esconda um machismo na escolha de uma liderança.

3. Dilma teve 55%, ok. Não entendo bem o voto dos outros 45%. Não consigo encontrar um motivo que não me desagrade muito. Isso me lembra que 55% é também uma identidade de mentira. Eu não sou parecido com essa massa enorme de eleitores.

4. Acho estranho que tanta gente tenha dúvida entre votar para PT ou PSDB. A questão para mim está definida desde antes. De algum modo, se nas próximas eleições as forças políticas estiverem distribuídas de um modo parecido, eu já sei em que partido votar, mesmo antes que os nomes dos candidatos sejam colocados (Guardo uma exceção para a escolha do voto nulo, que considero justificável, embora esta não seja minha opção neste mundo material e neste momento da história; e não me refiro ao primeiro turno, nem às situações em que há mais partidos e mais nuances).

5. Há dados substanciais e claros sobre os avanços de alguns índices sócio-econômicos do país. Me refiro especificamente à diminuição da porcentagem de miseráveis e um indício de movimento para a distribuição de renda. Queria fazer perguntas estranhas e constranger pessoas. Queria saber se as pessoas acham que é importante que uma mulher seja feminina, que haja menos pobres, queria saber se as pessoas pensam nessas coisas ao votar. Queria saber se alguém seria capaz de dizer que não se importa com a pobreza, apesar de seu voto ter, entre outros, este significado político. Queria saber como as pessoas administrariam esta responsabilidade, queria saber como elas escondem de si seu individualismo e seu cinismo. Em que as pessoas pensam ao votar? Será que as pessoas não votam por critérios muito estranhos?, será que não votam contra ou a favor da olheira, de uma compulsão pessoal por ordem, será que não votam nulo para não terem que lidar com a culpa de colaborar com algo que nunca será perfeito (embora possa ser melhor ou pior)?

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