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Bandeira branca, amor

Posted by Tony Monti em 17.10.2010

Não conheço o Nuno Ramos artista plástico. Conheço o escritor. Ó (Iluminuras, 2008)  é provavelmente o livro escrito neste século que mais me impressionou. Seu texto de hoje na Folha de São Paulo é sobre a polêmica dos urubus em sua obra na Bienal de artes de São Paulo.

Tenho tentado nos últimos anos trocar o sentimento de raiva por qualquer coisa, organizar o ódio (lembrete público para mim mesmo: usei a expressão “organizar o ódio” em um conto que logo sairá publicado em livro, provavelmente ainda esse ano, e quero retomá-la algumas vezes, reformular as ideias). O texto do Nuno é claro. Me traz uma mistura de afetos, me acolhe por me iidentificar nas ideias do autor e me deixa triste por um mundo estranho. Me sinto agredido por esse mundo o tempo todo. Tento não agredir de volta. Fico triste.

As pessoas querem aparecer, diz de passagem o Nuno. Muita gente quer uma causa na qual possa ter voz, mesmo que não seja uma causa muito justa, mesmo que, apesar da justiça, essa causa tire o foco do principal. Me sinto religioso quando penso nessas coisas, quero que as pessoas sejam alimentadas com comida e um pouco de delicadeza, algum modo de organizar o ódio em objetos e ações mais detalhados que a violência crua. As pessoas querem ter a voz escutada e gritam por urubus porque não sabem odiar de modos mais tranquilos.

(coloquei o link para um arquivo do google docs porque o site da Folha só dá acesso aos assinantes)

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2 Respostas to “Bandeira branca, amor”

  1. Tayla. said

    sempre bom refletir.

  2. tonymonti said

    :)
    Não, não estou triste (em resposta a um e-mail que recebi). Mas fiquei triste, por exemplo, ao imaginar o Nuno Ramos dentro do carro cercado, como descrito no texto dele, porque me identifico com ele nessa prisão, com o absurdo que foi a reação muitíssimo violenta à obra dele na Bienal.
    Tristeza específica. Melhor que odio cru. Sentimento mais calmo, me desintegro menos desse jeito. É precário, mas já é uma ordem.

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