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insônia 2

Posted by Tony Monti em 12.05.2010

 – madruagada de domingo para segunda –

Acabei de assistir a “Força aérea 1”, que passava na Globo agora de madrugada. Os russos sequestram o avião do presidente, mas o presidente salva sua família (esposa e filha bonitas e afetuosas) e uma parte dos passageiros, ao preço da morte dos demais, dos sequestradores, de alguns outros militares chamados para ajudar e de um antigo militar russo preso havia anos.

Estou sujeito como a maioria das pessoas à idenficação com a vontade de sobreviver e a de ter por perto as pessoas queridas. Me comovo, por exemplo, em ver uma família reconstituída. Mas a eleição de um inimigo assim, de um herói assim, de um ideal de nação assim, me incomoda mais que os livros do Fonseca (ver explicação e pesquisa em dois posts anteriores). É bem estranho ver pessoas comemorando e aplaudindo a morte do antigo militar russo para deixar claro ao espectador que aquilo é felicidade, ver a família unida ao final como se uma nação muito militarizada e uma família fossem a mesma coisa, ver um modelo militar de país ser alçado a símbolo estético e, assim, expor-se como imagem apoiado em um valor de verdade. O sacrifício da guerra assume o rosto do dia-a-dia familiar, a guerra deixa de ser o estado de exceção para ser a regra louvável, sacrificar-se por um ideal de nação. O inimigo monstruoso justificaria que o tempo todo estivéssemos dispostos à guerra.

Me lembrou um pouco o “Em busca do soldado Ryan” pelo mesmo modo de justapor o familiar e a nação em guerra, como se matar o inimigo fosse restituir a família temporariamente destruída.

Me lembrou também, de um modo torto, as torcidas de futebol que se enfrentam nas entradas de estádios e que vêem os jogadores como heróis (quando ganham) ou traidores (quando perdem) em uma lógica unidimensional, de jogo, cuja avaliação não é ética mas baseada em um critério numérico, mais gols, menos gols, e tribal, nós e eles. Nós nos afirmamos por odiarmos os diferentes.

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2 Respostas to “insônia 2”

  1. daniel said

    é Tony,
    eu sempre me assusto com esse uso social do esporte. Tem algo de terrivelmente mítico – e bélico – nessa identificação com um time. Se é aí que reside parte considerável da paixão pelo futebol, é também o que afasta uma apreciação livre do esporte. infelizmente produz-se uma forte polarização (nós x eles) que irá sempre resultar em jogo de dominação de um lado por outro. Uma construção imaginária que atende ao mesmo maniqueísmo que você bem detectou no filme.
    tudo muito triste, óbvio e, ao que parece, inevitável.

  2. Ivan said

    Já que ando apavorando por aqui, vou emendar a essa interessante e mui reflexiva postagem uma “leitura desconstrucionista” da foto ilustrativa:

    Aparentemente, o dedo indicador do “presidente” Ford está dobrado, ou foi mutilado durante o desenrolar do massacre redentor da família Made in USA (medo em you as A (êi)?).

    Enfim, seja como for, uma desleitura da imagem nos oferece a seguinte interpretação: o “macho adulto branco sempre no comando” (sorry, Caetano) precisa enfiar o dedo indicador na orelha da nova geração e inutilizar o jovem cérebro em formação, para que este aceite a “verdade” que nunca esteve lá fora, mas é patrimônio de ninguém, e por enquanto é bom que continue assim.

    E quanto à análise sobre o futebol, realmente ótima, Antonio: agora grite comigo: “Viva o Dunga e o Grafite, nosso time é o mais forte: e que se fodam a Costa do Marfim e a Coreia do Norte!”

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