tony monti eXato acidente

leio, escrevo e apago




  • três coisas que eu
    gosto - infantil -
    (2013)


    Capa de eXato acidente
    eXato acidente
    (2008)



    Capa de o menino da rosa
    o menino da rosa
    (2007)




    Capa de O Mentiroso
    o mentiroso
    (2003)





  • e-mail do Tony:
    monti1979 arroba gmail ponto com



  • Arquivos

do autor à infâmia

Posted by Tony Monti em 26.04.2010

Cheguei a “a vida dos homens infames” depois de ler “o que é um autor”, que achei que me interessaria, mas que não interessou muito. Eu já conhecia uma ou outra ideia do que ali encontrei e, como o Foucault mesmo diz, o texto é um esboço de algo que ele queria ainda desenvolver, uma primeira especulação sobre uma ideia que ele julgava significativa. Pensei em alguma coisa mas nada me espantou ou instigou demais. Fiquei mais interessado em uma pequena discussão posterior à fala de Foucault (transcrita também no livro)  na qual a plateia fazia perguntas e agulhava o palestrante, forçando-o a falar mais do que queria inicialmente e, neste sentido, expor-se. Uma pena esta discussão ter sido tão curta.

No mesmo volume, no entanto, encontrei esse “a vida dos homens infames”. É uma espécie de prefácio a uma recolha de lettres de cachet feita por ele. Essas cartas existiram na França durante parte dos séculos XVII e XVIII. Eram escritas pelo cidadão comum e endereçadas ao rei. Nelas, o infame reclamava sobre alguém próximo a ele – um parente, um vizinho – e pedia providências diretamente ao poder maior do país. Misturavam um tom elevado, por reverência  ao destinatário, e outro comezinho, condizente com o cotidiano que fazia cenário às reclamações. E o rei eventualmente tomava mesmo providências. A estranheza da ideia (na minha opinião) dá ao texto do Foucault um ar de ficção borgeana. Parece um conto em forma de ensaio historiográfico. Tem-se a impressão de um tempo mítico em que os acordos públicos sucumbiriam todos aos desígnios do grande pai da tribo. Gostei bastante e me fez pensar sobre o ato de escrever sobre o cotidiano, de o quanto as transformações nos modos de escrever literatura estão em acordo com circunstâncias históricas como essa.

Anúncios

Uma resposta to “do autor à infâmia”

  1. Fabiana said

    Nunca li “o que é um autor”; aliás, nunca cheguei a ler os escritos do Foucault sobre literatura. Tenho uma amiga que escreveu uma dissertação de mestrado sobre o Alvaro de Campos sem tratá-lo somente como heterônimo de Fernando Pessoa justamente por conta da recusa do Foucault à ideia de “obra”. Mas li “A vida dos homens infames” algumas vezes e acabei de me lembrar que ele cometa sobre a relação entre literatura e cotidiano – criminoso – do Vigiar e Punir, para mostrar a ambiguidade da situação da punição na forma de espetáculo, que alimentava também toda uma valorização da transgressão ao poder real, que cotidianamente controlava, usurpava, distorcia…
    Em tempo: adorei sua nova assinatura lusitana, ó António ;-)
    Beijos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s