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Vida corrida (isto é um blog, parte 3)

Publicado por tonymonti em 25.08.2011

O trabalho nos meses seguintes ficou concentrado na tese de doutorado. Foi um período de organizar o pensamento, de muita análise e pouca síntese. É curiosa a tendência que uma tese em literatura tem de se afastar do pensamento especificamente literário. Para mim, é clara a impressão de que a cabeça funciona em regimes diferentes quando se escreve ficção ou quando se escreve crítica acadêmica. Procurei não me afastar demais da produção de imagens também na tese, mas, no fim das contas, não há muita poesia na tese, não. Houve um consciente esforço de linguagem também, para evitar a solução fácil do jargão, para tornar o fluxo das frases também instigante, para além do fluxo finalista das ideias.

Como de costume, considero o processo mais rico do que o resultado. Talvez eu tenha cedido a uma demanda acadêmica mais do que eu gostaria. Falei de modernidades e de interpretações do Brasil talvez mais do que devesse, talvez mais do que eu acredite na funcionalidade destes modos de pensar. Mas gosto das análises dos textos. Acho que a tese é mais forte nos pequenos elementos e mais fraca nos momentos de síntese.

Já estou na escola, como aluno, há bastante tempo. Estar em processo de aprendizado é confortável para mim. A tese reflete este conforto. Enquanto caminho em terreno de análise e de dúvidas, vou bem. Escorrego nas sínteses, na hora de interpretar. Talvez por desconfiar da força de grandes interpretações.

Durante o período, um dos meus contatos com o fazer literário foi anotar fragmentos soltos, eventualmente, quando surgia alguma ideia. Tomei nota também para um romance que finalmente volta a caminhar. Comecei a escrevê-lo há cerca de quatro anos. Nas últimas semanas, muitas páginas de texto têm se acumulado. E, durante a tese, escrevia aqui no blog as “garatujas”, que eram mais anotações para mim mesmo do que textos para mostrar. Mas mostrei. As garatujas ficaram levemente contaminadas pelo doutorado e mesmo o romance tem nele algo da tese.

O doutorado seria uma comparação entre personagens artistas (escritores) e personagens assassinos (criminosos) em contos do Rubem Fonseca durante o Regime Militar. A parcela dos assassinos cresceu. Os personagens assassinos são mais interessantes. Trabalho pronto, texto escrito, noto agora que uma das vontades que me guiou o tempo todo foi a de entender por que é que se gosta de violência em arte. Acho que aprendi algo sobre isso e com isso.

- parte 1 –
- parte 2 –
- parte 4 –

3 Respostas para “Vida corrida (isto é um blog, parte 3)”

  1. Herbert disse

    Que pena. Queria ter ido! Mande a sua tese por e-mail. Gostaria de ler!
    Abraços,

  2. tonymonti disse

    Pô, a defesa já foi, Herbert.
    Cinco de julho.
    Como é que eu conserto o fato de não ter chamado ninguém?

  3. Herbert disse

    Vou querer ir na defesa! Não esqueça de avisar, OK?

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