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leio, escrevo e apago

Política

Publicado por tonymonti em 18.08.2008

E escritores e poetas são tratados cada vez mais como trabalhadores altamente desqualificados. São cada vez menos respeitados. Na indústria do livro, todos ganham (do gráfico ao editor), menos o escritor, menos o poeta. Essa é que a verdade. Pergunte a um escritor e a um poeta quais são seus direitos. Nenhum.
(Ademir Assunção, na Cronópios)

Sem a qualificação e o aumento do número de leitores e paralela profissionalização dos escritores (ou de boa parte destes), não consigo enxergar qualquer mudança interessante na literatura .

4 Respostas para “Política”

  1. A solução para os escritores é a independência do objeto livro. Aí ele se livra do editor e das livrarias em uma cartada só. O negócio é buscar novas mídias, como a internet. Na internet, até eu – que não sou escritor nem nada – sou muito mais lido que muitos escritores. E ainda sou remunerado.

    Abraços!

  2. [...] através de uma citação do blog Exato Acidente, de Toni Monti, ao texto de Ademir Assunção, sobre o mercado dos livros no Brasil, no site [...]

  3. tonymonti disse

    Olá, Alessandro.

    Concordo em parte com o que você diz. A utilização pelos escritores dos novos suportes para os textos, oferecidos pelas novas tecnologias, faz com que se tenha, em alguns casos, independência do pepel, das gráficas, das editoras, das distribuidoras. Mas não acho ainda substituto para o papel em alguns casos. Não conheço, por exemplo, modo satisfatório de ler um romance a não ser virando as páginas.

    Deixando as soluções técnicas e partindo para a discussão política (preciso ainda calibrar o uso dessa palavra – “política”- , para não assustar), não me parece razoável que cada escritor saia procurando individualmente por soluções. Preferiria algo diferente de “cada um por si”, algo além das soluções privadas. Imagino, ainda sem boas respostas, tentativas públicas coletivas que remunerem o trabalho da escrita, o que teria que enfrentar o poder das editoras.

    A internet é interessante, carrega em si uma centelha de democratização, de universalização do acesso. Por outro lado, a internet é o caos. Quem é que te ajuda a encontrar o que interessa? O google, o uol, a FolhaOnlne?

    abraco,
    Tony

  4. Adriano disse

    Tony, grande amigo e demais escritores. Para mim 10 % é comissão e não remuneração por uma criação. Na sociedade capitalista somente se remunera aquele que produz algo de valor monetário, isto é, algo que seja reconhecido pelo consumidor final como um bem de valor, ou que para a “indústria” do livro repercuta em mais valia, ou seja lucro. Não aquilo que tem um valor intrínseco, mas não “observado” pelo mercado, um valor que seria neste caso, um valor moral mas não material. Como alternativa pública, atualmente, somente o incentivo à cultura, derivado do benefício tributário concedido ao patrocinador da obra cultural, ou virar livro didático, o que por óbvio, em qualquer hipótese amarra o autor. Do ponto de vista prático, pode-se pensar na propositura de uma ação civil pública por abuso do poder econômico buscando um repasse maior dos preços finais. Fico à disposição.

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