E, hoje,
mundo meio repetitivo,
setelinhas de novo.
Sobre silêncio, de novo,
sobre bêbados, bebês e expectativas.
Posts de Junho 6th, 2008
setelinhas
Publicado por tonymonti em 06.06.2008
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ficção científica
Publicado por tonymonti em 06.06.2008
Quando se coloca a ficção científica como um gênero separado daquele dos livros que eu costumo ler (nas livrarias, por exemplo, ou na minha cabeça), eu perco a chance de ler umas coisas porque eu sou esquecido, esqueço de olhar a outra estante.
O über presente Roberto Causo escreve uma coluna sobre arte, livros, cinema e afins, de ficção científica e afins, no Terra.
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BRAZIL, o filme
Publicado por tonymonti em 06.06.2008
Sobre o tema do futuro que é passado, que me apareceu quando falava do 1984, lembrei de Brazil, filme amalucado do ex-Monty Python Terry Gilliam. Depois de assistir a este filme, uma das idéias que me vieram foi que eu tinha acabado ver uma coisa diferente. Não é um filme normal, não. É uma fantasia sobre um futuro e o que quero enunciar aqui é só uma curiosidade, um detalhe estruturador, pode ser isso?, mais ou menos como o cenário do Dog Ville, meu interesse sobre o filme vai bastante além de seu cenário, mas é difícil falar do filme sem falar deste aspecto. Em Brazil, os objetos do futuro são construído caricatamente com peças do passado, estética retrofuturista, já disseram, como, por exemplo, um videofone feito pelo acomplamento de uma televisão e um telefone evidentemente antigos já na época em que o filme foi produzido (1985).
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1984 – George Orwell
Publicado por tonymonti em 06.06.2008
Na estante da minha casa não havia muitos livros. Não era impossível conhecer o título de todos eles. Havia um volume chamado Brasil 2001 (do Mario Henrique Simonsen) e eu achava interessante que alguém escrevesse sobre o futuro. Mas eu não li o livro. 2001 foi só depois que eu conheci, no filme do Kubrick. E um pouquinho depois, devidamente alcoolizado, na sequência da festa que começou em 31 de dezembro de 2000.
Acho uma pena que essas fantasias futuristas sejam logo enquadradas na enorme categoria de ficção científica. Cada vez menos essa divisão nos grandes gêneros me serve. “Gênero não me pega mais”, escreveu a Clarice Lispector no Água Viva. Abaixo do título, vinha escrito “ficção”, provavelmente para se opor a “romance” e a ”contos”, que acompanhavam os títulos de alguns dos livros anteriores da Clarice. Ficção.
Por anos, embora curioso, não me animei a ler o 1984, do Orwell. Imaginava que o livro fosse interessante, não mais que isso. Acho que o rótulo “ficção científica” enquadrava o livro, na minha cabeça, em algo mais banal do que o que encontrei agora que o li. A estrutura maior de uma sociedade sempre vigiada por um ente misterioso formalizado na imagem d’O grande irmão (big brother), idéia que é conhecida mesmo por quem não leu o livro, dá o pano de fundo para uma narrativa que se aprofunda em descrições psicológicas sutis e cenas de violência intensa que me lembraram (a violência) muito o Laranja Mecânica (Kubrick de novo, de 1971, mas também Anthony Burgess, livro, em 1962).
1984, esqueci de dizer, é de 1949. A idéia de um futuro que já é passado para o leitor de hoje é também curiosa, mas acho que, embora boa para propagar o nome do livro a quem não o leu, não dá a dimensão muito mais sutil daquilo que será encontrado com a leitura. Não se trata da descrição insípida de objetos e estruturas de uma sociedade que se parece com a(s) nossa(s) e que não se parece com a(s) nossa(s), mas também, e principalmente, a projeção dessa sociedade no comportamento e nos pensamentos de alguns dos habitantes dessa sociedade.
E a tensão armada culmina em alguns capítulos finais dos mais impressionantes que eu já li.
(Enfim, não disse muito além de que eu gostei)
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