Uma outra observação sobre a revista é a (quase) ausência de personagens escritores ou artistas às voltas com seus dramas sobre conseguir ou não escrever. Minha hipótese frágil é a de que isso se deve, em parte, pela idéia de escritor como profissão, mais freqüente lá do que aqui. Na medida em que o que se escreve será lido e configurará um meio de inserção social, o escritor fica menos no vazio, no questionamento do escrevo ou não sobre o quê, ou pelo menos tem menos necessidade de expressar isso nos textos. Isso combina também com a nota anterior sobre escritores jovens casados e com filhos.
Outra observação é sobre a freqüência da presença dos cursos de Creative Writing nas biografias dos escritores.
E, uma última observação é que apenas agora, passados mais da metade dos textos, encontrei um conto bastante violento e com linguagem menos comportada. O protagonista é um vietnamita que migrou para os Estados Unidos e foi combater no Iraque. A seguir, um trecho da biografia do autor apresentada na revista: “Gabe Hudson /…/ serviu como atirador no Corpo de Reserva dos Fuzileiros Navais e se formou em Artes Plásticas na Universidade Brown.”



