ABC
Publicado por tonymonti em 03.04.2008
Deleuze não costumava dar entrevista em vídeo, não gostava da idéia de responder perguntas sem que tivesse tempo para pensar um pouco sobre as respostas. Combinou-se então que a entrevista só seria exibida depois de sua morte (o que acabou não sendo respeitado).
No Abecedário, Deleuze fala, sem muita intervenção da equipe que o filma, sobre palavras escolhidas com antecedência pelos produtores da entrevista, uma palavra com cada letra do alfabeto. A princípio achei estranha a idéia e não consegui encontrar as vantagens de escolher um mesmo número (1) de palavras com C, com J e com Z. Tentei imaginar alguma palavra interessante com Z, sobre a qual ele falaria, e ainda não encontrei. Assistida a primeira hora da entrevista, localizei um ponto que eu não tinha previsto. A partir do momento que são colocadas regras assim, na aparência, esdrúxulas e não especificamente produtivas, o encontro é levado para um lugar cujas regras formais estão distantes da erudição e do aparato acadêmico (ou eu me engano).
A de animal, B de bebida e C de cultura, ainda não cheguei ao D, gostei de ver o homem falar da vida quase sem que o entrevistador interfisse. Ainda, como fala do além-túmulo, na medida em que a projeção seria feita depois de sua morte, pode-se supor algum tipo de liberdade em sua fala, sem a censura das instituições da matéria.




giuliano disse
monti,
onde vc encontrou o abecedário?
tenho um colega que é apaixonado pelo filósofo, mas não tive ainda um encontro amigável com o pensador, até o instante momento.
tonymonti disse
Fala, Giuliano,
mandei por e-mail as indicações.
abraço,
giuliano disse
indicações anotadíssimas,
grande abraço.