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leio, escrevo e apago

A passagem ao ato (primeira parte) – Terra Magazine

Publicado por tonymonti em 26.06.2009

A dúvida do dia, hoje, no Terra Magazine

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Publicado por tonymonti em 26.06.2009

acho que vou desistir.

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mastroianni #1 (em edição)

Publicado por tonymonti em 22.06.2009

giornata

Marcello Mastroianni é dos meus atores favoritos. Impressiona-me não só a atuação mas o fato de ter se envolvido em tantos filmes interessantes. Admiro muitos homens por particularidades diferentes. Digo às vezes que admiro o Mastroianni pelo modo como ele é homem. Tenho me proposto tarefas, como modo de vencer uma inércia que me faz pensar e dormir, mas nunca agir. Uma das tarefas recentes é assistir aos filmes do Mastroianni a que eu tiver acesso.

 

Joyce
Escrevo, leio e estudo literatura há já alguns anos. Convivo com gente que lê bastante. Um dos livros mais comentados por todo mundo é o Ulisses. Quando estudei Joyce na faculdade, o título foi citado dezenas de vezes, assim como quando se estuda Modernismo ou quando se estuda romances. O livro parece ser um marco em todas as suas facetas. Mas quando fomos estudar um texto, lemos Dublinenses e O retrato do artista quando jovem, o Joyce acessível.

Conheço de fato pouca gente que leu o Ulisses. Um professor da faculdade disse que, quando comprou o livro, anotou na primeira página duas datas: a da compra e a de vinte anos depois. O intervalo era o tempo que se dava para a leitura.

Um amigo que escreveu um texto longo sobre escritores cegos (Histórias de literatura e cegueira, Julián Fuks) não se permitiu deixar de lado as mil páginas do Ulisses. Disse que foi das leituras mais difíceis que já fez, mas que o percurso todo vale o esforço. Disse também que um dos modos de fazer o texto correr mais fácil foi ter como tarefa específica, enquanto lia, procurar referências a cegueira.

Quanto ao Mastroianni, não para facilitar, mas para valorizar a tarefa de assistir aos filmes, resolvi prestar atenção nele para ajudar a compor um personagem de um texto que estou escrevendo. O personagem assistiu a todos os filmes do Mastroianni e fez o que eu pretendo fazer: observá-lo atuando.

 

Scola
Coloquei hoje o primeiro título na lista dos assistidos: Um dia especial (Una giornata particolare, Ettore Scola, 1977). A pergunta que tentei responder é o motivo para Gabriele (Mastroianni) ser tão sedutor a Antonietta (Sophia Loren). Tomei nota de detalhes que não compõem um todo. No final das contas, a pergunta que me faço é o motivo de ele ser sedutor também para mim. Suponho então que o que anotei seja uma mistura dos meus motivos e dos motivos de Antonietta. Ainda, de modo nada rigoroso, sobrepus as imagens do ator que está em vários filmes e do personagem que é específico de apenas um deles. Assim, estou anotando tanto traços do personagem quanto do ator, sem me preocupar, a princípio, em diferenciá-los.

Em Um dia especial, Mastroianni é um borrão em uma rotina organizada. Politicamente, é considerado traidor do regime oficial. Não se enquadra também, segundo a narrativa, no padrão normal do gênero masculino. Mas não são estes traços estruturadores do filme que me chamaram a atenção hoje. Fiquei mais comovido com os detalhes da construção de uma personalidade desviante.

Gabriele é um homem mais ou menos solitário, desde sempre. Está pouco preocupado com as grandes narrativas da história, a visita de Hitler à Itália por exemplo. Parece às vezes distraído. Ao mesmo tempo que dança com leveza, é desastrado. Escapa sempre da perfeição limpa. Sua personalidade, expressa beleza de um modo melancólico, com faltas e sobras em vez de limites definidos. Lembra-se da infância, do modo como moía o café com o avô, preocupa-se com as pessoas uma a uma e não reunidas em multidões, exércitos ou partidos.

Assim, Gabriele parece um pouco mais humano, aos meus olhos, do que a turba que invadiu as ruas para assistir à consagração estranhamente extática da união política, no momento retratado, de Itália e Alemanha.

Por fim, e por outro lado, me pareceu que parte da sedução também vem de o personagem ser às vezes irritante e invasivo. Ele não é apenas uma pessoa de quem se gosta, é uma confusão atraente de elementos. Eu não gostaria que um desconhecido entrasse na minha casa e andasse de patinete pelos cômodos. Esta configuração de liberdade, encarnada no personagem, inclui necessariamente a quebra dolorosa dos limites de quem se aproxima. O objeto sedutor fascina e machuca.

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o elevador (2)

Publicado por tonymonti em 16.06.2009

Dito de outra maneira, gosto muito da ilustração, das figuras humanas e dos tabuleiros. Reveria a escolha da fonte, as palavras destacadas e o corte das frases linha a linha.

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o elevador

Publicado por tonymonti em 15.06.2009

Na virada de 2008 para 2009, o Sesc Pinheiros chamou a mim e ao Denis Rodrigues para que ilustrássemos um dos elevadores do prédio com texto e desenho. O trabalho acabou não sendo publicado, uma pena. Apesar de a coordenação do Sesc ter gostado do resultado, disseram que o conjunto é agressivo demais para um elevador que sobe e desce com gente de todo tipo. Eis aí abaixo o que seria mas não foi.

Eu teria pequenas observações quanto à integração do texto de do desenho. Suponho que alguns detalhes poderiam valorizar a intensidade da coisa toda, em particular (1) a escolha das palavras ressaltadas e (2) a diagramação do texto para que as quebras de linhas coincidissem com a pontuação. De qualquer modo, gosto bastante do resultado. Quem quiser ver mais trabalhos do Denis, ele tem uma página pessoal com links para outros sites.

Minha participação foi escolher a temática e escrever/escolher fragmentos de textos, tudo em parceria com o Denis, que deu algumas sugestões.

O comentário mais divertido que recebi sobre este trabalho foi do Daniel Hanai, que também trabalha no Sesc, mas não na unidade Pinheiros. Ele disse que queria plotar as ilustrações nas paredes do quarto dele.

001_artashov_direita

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Publicado por tonymonti em 15.06.2009

002_mestre_esquerda

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Publicado por tonymonti em 15.06.2009

003_antonio_fundo

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Publicado por tonymonti em 15.06.2009

004_Xeque_portax

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Terra Magazine – São Paulo em três fragmentos

Publicado por tonymonti em 13.06.2009

Foi ao ar ontem mais uma coluna no Terra Magazine. Uma parte do texto fala da usp. Foi escrito bem antes dos acontecimentos desta semana (video no post anterior, abaixo).

Fiquei mais triste que revoltado. Estou na usp há bastante tempo e não vejo, nestes vários anos, o que tenha melhorado lá. Não vejo como fazer frente às forças que pretendem transformar a universidade em uma escola técnica.
Minhas questões pessoais se misturam com as questões da universidade.
Não quero comentar as possíveis bobagens do lado dos manifestantes.

Fiquei pensando no modo como se justifica a ação violenta. Tentar justificar o uso de balas e bombas contra manifestantes desarmados é já bastante perverso. Era bastante óbvio que algum manifestante reagiria às bombas. A primeira garrafa que atirarassem bastaria para o lado da polícia criar um discurso inteiro em cima da auto-defesa. A falta de discussão política me deixa triste. De ambos os lados, a incapacidade de articular idéias. Do lado de lá, o cinismo.

A coluna é apenas em parte sobre a universidade. Não é sobre a polícia no campus. É sobre a cidade de São Paulo e sobre pessoas. Um pouco é sobre gente que manda a polícia bater em aluno com mochila nas costas em vez de reservar uns minutos para conversar. Mas na coluna está escrito de outro jeito, está escrito que, em vez de conversar e enfrentar as tensões e as diferenças, um dos lados constrói uma coisa bem grande para desviar a atenção. De outro jeito. Pode ser que eu estivesse antes de mau humor e que eu tenha arrumado depois uma razão para reclamar. Mas eu acho que não é isso.

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Em outra conversa com a Martha, pensei que a universidade deveria reservar um dia para todos os alunos estudarem e fazerem política. Um dia para discutir maneiras de resolver as questões coletivas. De repente, um dia também nos ensinos fundamental e médio para aprender a conviver, a conversar.
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Uma das pautas da greve na usp é que a univesp não poderia existir. A univesp é a Universidade Virtual do estado de São Paulo. Sou contra o ensino a distância, este é um ponto, mas acho que a Univesp é ruim por mais motivos. Tudo faz parte de uma idéia meio boba de oferecer vagas de ensino superior público para mais gente. Minha opinião é que é preciso oferecer melhor ensino básico. Enquanto houver gente que passa onze anos na escola e praticamente não consegue escrever um texto, não é preciso haver mais vagas na universidade pública.

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pm na usp

Publicado por tonymonti em 11.06.2009

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